MODA PLUS PARA TODAS AS IDADES
desde 1976

Endereços:

205 Sul - Fone: 61 3548-3336


Monthly Archives: abril 2010

Tudo começou em…
27/04/2010

d824fc25ea67f6515ad07b48cf61fdf2

REGINA MOULIN
Pioneira: fundadora da Ki Graça
fala de seu começo em Brasília
Publicado em 14.04.2010

Com 20 dias de casada, Regina Moulin chegou bem-vestida para ser funcionária pública na nova Capital Federal, em agosto de 1960. O interesse pela moda deu origem a uma pequena boutique familiar, que durou 15 anos. Em entrevista ao Finíssimo, Regina revelou como era o cenário da moda naquela época. “Era roupa para mulher que trabalhava porque aqui todo mundo começou a trabalhar nos Ministérios, Câmara, Senado”, disse.

Numa cidade que quase não tinha lojas, a empresária deixou a carreira no Tribunal de Contas da União para se dedicar à Ki Graça, na galeria do Cine Karim. Depois de engravidar da filha caçula, Paula, Regina voltou à produção para modelos plus-size e trabalha com o segmento até hoje, em loja de três andares na 209 Sul.

“O principal é conhecer bem o corpo da mulher e procurar algo que lhe vista bem, que tenha o melhor caimento. A gente trabalha com estampas, tecidos que favorecem”, disse Paula Moulin, consultora de estilo e herdeira da Ki Graça.

Foi nos anos 70 que a marca começou a fazer desfiles com mulheres gordinhas, prática que se estendeu a algumas edições da Capital Fashion Week e continua a fazer sucesso em lançamentos de coleções na loja. Hoje as campanhas trazem Regina e Paula como modelos.

A loja de três andares é considerada uma extensão da casa da dona Regina, com elevador para clientes de mais idade, piso dedicado a roupas de festa e estúdio onde são ministrados cursos de automaquiagem por Paula Moulin. É Paula também quem compra roupas em showrooms fora da cidade, o que representa 50% das peças da loja. A outra metade é produzida em confecção própria.

Em homenagem aos 50 anos de Brasília, o Finíssimo conversou com a pioneira que está à frente de uma das mais tradicionais grifes brasilienses:

Brasília está completando 50 anos agora. Qual é a sua relação com a cidade?
Cheguei em Brasília com 20 dias de casada, dia 10 de agosto de 1960, o ano que Brasília tinha sido inaugurada. Fui trabalhar no serviço público e, naturalmente, nova e com roupa bonitinha, todo mundo achava interessante. Me pediam para encomendar do Rio as roupas que eu estava usando. Ligava para minha mãe e ela mandava. Depois de uns dois, três meses abri uma pequena boutique familiar. Durante 15 anos vendi em casa. Tinha três filhos e trabalhava no Tribunal de Contas.

E naquela época não tinha nada de moda em Brasília…
Nada mesmo, então resolvi que era melhor abrir loja. Deixei o Tribunal e abri a primeira Ki Graça no Cine Karim, ainda não tinha essa menina aqui [ela aponta para a filha Paula Moulin, que também gerencia a loja]. Ficamos lá uns 15 anos e depois engravidei da Paula. Em 1968 fiquei bem cheinha e constatei que senhoras mais cheinhas não tem direito de caber numa roupa elegante. Comecei a trabalhar com números maiores, 46 até 56, firmei nesse perfil e é o foco da nossa loja até hoje.

Como as pessoas se vestiam aqui?
Era muita areia, construção, muita terra vermelha, não tinha nada, nada, nada. Meu marido trabalhou na construção, vendia areia, tijolo para a construção. Depois construímos nossa vida aqui, ele fez direito na UnB, se formou na segunda turma. Quando viemos ganhamos um apartamento na 111 Sul dado por um padrinho do nosso casamento, que era do governo. Quando você chegava com alguma novidade as mulheres procuravam com o maior interesse. Era muita roupa para mulher que trabalhava porque aqui todo mundo começou a trabalhar nos Ministérios, Câmara Senado. Muita gente que veio, veio transferida pra cá. Eu mesma comecei a trabalhar no Tribunal de Contas.

Quando foi que a senhora percebeu que Brasília era mesmo sua casa, o lugar que gostaria de ficar sempre?
Quando cheguei aqui com meu marido, de ônibus, era 10 de agosto, eu já disse ‘É aqui que eu quero construir nossa vida’. Foi uma paixão permanente. Eu estava vindo de Copacabana, da PUC do Rio de Janeiro, de um apartamento muito bom que eu morava com os meus pais e escolhi Brasília para construir meu amor e nossa história familiar.

E por que vocês vieram?
O cunhado do meu marido estava aqui trabalhando e adoeceu. Então ele foi chamado pra trabalhar no lugar dele. Ele viu que aqui era uma cidade futuro, uma cidade boa de viver, uma cidade que tinha mel, como dizia Dom Bosco, que cuida dessa cidade. É uma alegria muito grande ter meus quatro filhos morando aqui, cinco netos e uma bisneta.

Como é para a senhora ver o crescimento tão grande da cidade?
Nem Dom Bosco esperava. A gente acompanha com muito carinho, com muita alegria. Aqui é um oásis, né? Uma cidade de oportunidades para gente séria e honesta, que é o lema da nossa família, seriedade em tudo o que faz. Fazer tudo com muito carinho.

A senhora sempre se interessou em moda?
Sempre. Minha mãe era extremamente vaidosa, atenta à moda, lia muito, viajava muito, era muito culta, sabia francês e eu adquiri dela esse gosto por moda e por arte.

E ainda hoje a senhora costuma se informar, estudar moda?
Sim, nós fizemos curso, eu e Paula em Milão e Paris sobre moda, com bolsa do Senac e do Sebrae.

A loja já tem mais de 30 anos. Qual é o segredo para um negócio no ramo da moda durar tanto tempo?
Sensibilidade, persistência, saber lidar com o público e ter bom gosto, talento pra isso.